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  Galeria de Teste - Mercedes Benz 1622
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Quatro cilindros que dão conta do recado

Um semipesado de quatro cilindros com vocação estradeira. Assim é o Mercedes-Benz L 1622 6X2 equipado com motor eletrônico de 4.8 litros e 218cv de potência. Apesar da configuração mecânica, trata-se de um caminhão valente que surpreende no transporte de cargas com até 14 toneladas, como foi o caso do veículo avaliado pela Revista O Carreteiro.

Texto: João Geraldo
Fotos: Wagner Menezes



Enquanto o mercado continua migrando dos caminhões com cabina convencional para os cara-chatas, em todas as faixas de potência, o Mercedes-Benz L 1622 6X2, um semipesado bicudo, prossegue fazendo sucesso entre os transportadores. O maior sucesso do modelo, entretanto, acontece entre os motoristas autônomos, muitos dos quais utilizam o veículo em tiros mais longos, apesar de suas características para operações de transporte de cargas em curtas e médias distâncias.

Após oferecer terceiro eixo de fábrica como item de série, e meses depois ganhar uma versão com motor eletrônico - um item que alavancou ainda mais suas vendas - o modelo recebeu um novo impulso e passou a garantir com maior firmeza sua posição no mercado.

E é justamente no motor eletrônico que começam as novidades mais importantes do veículo. O primeiro item que chama a atenção é o tamanho do engenho, uma unidade de 4 cilindros com 218cv de potência. A caixa de câmbio da versão 6X2 é a Eaton FS 6209 A com nove marchas à frente - sincronizada e com bom escalonamento de marchas - e uma ré, um equipamento apropriado para aplicações em médias e longas distâncias.

A fórmula para o trem de força - aliada a outros itens dos quais falaremos em seguida - resultou num caminhão trucado com desempenho muito satisfatório dentro de sua categoria. Sem nenhum exagero, o “carro” impressiona no quesito eficiência e desliza na estrada. As retomadas de velocidade proporcionadas pelo engenho de quatro cilindros são satisfatórias. Importante dizer que a carga transportada no baú era 14 mil litros de água acondicionados em bombonas de mil litros cada.

Graças ao motor eletrônico, não há necessidade de aceleração para botar o veículo em movimento: basta engrenar a marcha e soltar levemente o pedal embreagem.

Esta característica - que facilita a saída do veículo - é a mesma apresentada por outros modelos da marca com motorização eletrônica.

A caixa de câmbio Eaton modelo FS 6209 A, facilita o trabalho do motorista, possibilitando uma condução tranqüila do veículo com o motor, que girando na faixa acima de 1.400rpm deixa o carro rolar mais solto na pista.

O L 1622 apresenta uma pequena vibração quando é mais exigido, o motivo mais provável é o curso do pistão (quase 14cm de deslocamento). Cerca de 150 mais leve que o OM 366 de seis litros, o motor eletrônico OM 924 LA turbocooler (de 4.800cm3) representa o estágio mais avançado da família BR 900, com cilindros de maior volume.

Outro ponto que merece destaque no veículo é o sistema de freio a disco nos três eixos. Trata-se de um item opcional mas que proporciona maior eficiência nas frenagens e dá maior tranqüilidade ao motorista. O sistema de freio motor é o já conhecido top brake, que há anos equipa os modelos da marca. Seu controle é feito por meio de botão no painel, com três posições: desligado, ligado conjugado com o sistema de freio (quando é acionado ao tocar o pedal de freio) e constante, posição em o sistema opera sem interrupção.

A cabine do L 1622 6X2 oferece o que pode de conforto dentro de suas limitações, mesmo após algum ganho de espaço com um motor menor. O banco do motorista, por exemplo, proporciona uma boa posição ao carreteiro. O ponto negativo, porém, está na regulagem do banco, prejudicada pela falta de espaço, que impede qualquer tentativa de recuar um pouco
mais o corpo.

O volante - com dois raios que permitem uma visão total do painel de instrumentos - tem diâmetro bem dimensionado e boa empunhadura.

Porém, a adoção de algumas soluções são bem vindas pelo motorista. Uma delas é o apoio de braço - no painel da porta, abaixo da linha da janela - no qual é possível manter o braço sem tirar a mão do volante. Outras são as opções do aparelho de ar condicionado do desembaçador do espelho retrovisor e levantador elétrico do vidro.

O nível de ruído do motor dentro da cabine é baixo e a cabine é confortável, não somente porque nos caminhões com cabine convencional o motorista e o ajudante viajam praticamente sobre o entre eixos como, também, o modelo é equipado com feixe de molas parabólicas na suspensão dianteira e os pneus 275/80 (sem câmara) são itens de série do modelo.

A versão 6X2 com terceiro eixo de fábrica (um implemento desenvolvido em parceria entre a Daimler Chrysler e Randon) conquistou o mercado e hoje representa 80% da produção do modelo. Este número pode começar a crescer mais ainda a partir da segunda metade deste ano, quando a companhia disponibilizar para o mercado a cabine-leito, prevista para ser lançada em breve.


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